sexta-feira, maio 12, 2006


Os Portugueses preferem esperar um milagre... do que fazer alguma coisa pelas suas vidas.

São aos Milhares. Descem e sobem por esse país. Dirigem-se a Fátima, num acto de fé.

Algumas dezenas de milhar vão a pé. Cansados e sofrendo com o sol escaldante, estima-se que 35.000 peregrinos vão chegar assim a Fátima. Vão juntar-se aos demais, que chegarão em viatura própria ou de autocarro.

Estima-se que este ano serão mais de 200.000 no santuário de Fátima.

Louvável a fé.
Notável o esforço.
Admirável o sacrifício.
Triste ver aquilo a que Nós, como Nação, chegamos.

Não tenhamos receio de usar a palavra “Nação”! Porque os Portugueses são um “Povo”, uma “Nação”, que outrora já foi orgulhosa e até heróica. Hoje nem é metade do que foi, anestesiada pelas novelas e pelo falso patriotismo do futebol, que mantém o povo distraído... e que, por isso, é tão conveniente aos políticos.

Sejamos realistas:

Portugal tornou-se num dos países mais medíocres e miseráveis da Europa e a culpa não é dos portugueses. Nem tão pouco é da “conjuntura internacional”.

A “conjuntura internacional” afecta também os outros! Afecta a também a Espanha e a pequena Grécia... mas nenhum deles é mais miserável que o nosso país.

A expressão “conjuntura internacional” converteu-se numa das frases “mágicas” dos políticos portugueses. Tornou-se numa das “boas desculpas” para justificar tão fraco e deplorável desempenho governativo.

Quando mais uma vez o povo é penalizado, em consequência de tão fraca governação, alguém tira a “conjuntura internacional” da cartola.
Qual coelho branco, saído da cartola do mágico, a “conjuntura internacional” maravilha quem, anestesiado, pouco quer pensar.

Mas voltando ao “Milagre de Fátima”:

Sim, Fátima é um milagre, acredite-se ou não na aparição da Virgem Maria aos Pastorinhos.

É um milagre porque move parte considerável de uma Nação.

Faz aquilo que nem baixos salários, fracos lucros ou altos impostos conseguem fazer;

Faz aquilo que nem, escândalos políticos, reformas milionárias ou gastos estrambólicos do Estado em armas de guerra conseguem fazer;

Faz aquilo que nem escolas a fechar, propinas a aumentar ou maternidades a encerrar conseguem fazer.

Agora imagine-se...

Imagine-se que aqueles 200.000 peregrinos mudavam a sua marcha.

Imagine-se que demandavam a Lisboa.

Imagine-se que avançavam pelas ruas da nossa Capital.

Imagine-se que, ordeiramente, sitiassem a Assembleia da Republica.

Imagine-se que, qual exército sem armas, EXIGISSEM daqueles que elegeram e a quem pagam, com os seus impostos, tão “churudos” salários e reformas, o devido RESPEITO.